O mercado editorial sinaliza que escritores e editoras que não se adequarem às mudanças não conseguirão se destacar no setor. Em um mercado dinâmico e diante de consumidores exigentes, adotar práticas de ESG (Environmental, Social and Governance – Ambiental, Social e Governança) deixou de ser uma tendência. Trata-se de uma necessidade do setor, principalmente quando o assunto é impressão com visão ecológica. As transformações e tendências vislumbradas para o setor são:
    1. Sustentabilidade no processo de impressão de livros – As práticas ESG também ganham força e deixam de ser tendências para se transformarem em realidade no mercado editorial. Especialmente as gráficas estão investindo na impressão ecológica, seja para se manterem competitivas no mercado ou também para atraírem novos consumidores aos seus produtos. Um livro ecológico pode ser definido como aquele produzido em materiais e processos ecologicamente corretos, que respeitam o meio ambiente: uso de papel reciclado; uso de papel pólen natural; uso de tinta orgânica; energia renovável e embalagens biodegradáveis.
    2. Avanço no mercado de livros sob demanda – Uma estratégia que ocupa um lugar de destaque nas tendências do mercado editorial é o livro sob demanda. Print on Demand (PoD), ou livros sob demanda, é quando o exemplar da obra só é impresso quando há um pedido de compra, o que passou a ser uma alternativa atrativa e viável, principalmente para os autores independentes. Evita-se investimento desnecessário e desperdício de papel e de tinta, como acontece nas grandes tiragens, sem contar a necessidade de espaços para guardar grandes quantidades de volumes impressos. Outra vantagem é que o serviço pode ser personalizado com formatos, papel, fonte e até mesmo capas especiais, conforme a necessidade e a preferência do leitor.
    3. Fortalecimento do mercado de livros independentes – Outra grande tendência do mercado editorial é o fortalecimento de livros independentes. Tais livros são publicados por editoras de pequeno e médio porte, que se destacam por preferir estilos mais ousados, criativos e diversificados para trabalhar, tendo como principais vantagens a qualidade gráfica e o cuidado editorial, além do engajamento com os leitores. Ao optar por uma editora independente, o autor contará com uma equipe de profissionais especializados e capacitados para atuar no apoio e suporte nas fases que envolvem a impressão, publicação e venda.
    4. Expansão do mercado de autopublicação – A autopublicação é uma das principais figuras entre as tendências do mercado editorial, sendo uma alternativa para escritores iniciantes. Nesse modelo, o autor assume todas as responsabilidades e executa todas as etapas que envolvem a preparação e publicação do seu livro, sem a intervenção de uma editora. Ou seja, é ele quem arcará com todos os custos referentes à produção, divulgação e venda do livro, como também tem total liberdade para definir o preço de venda e a forma de distribuição.

O Global 50 – The Ranking of the Publishing Industry 2024, apresenta dados e análises fundamentais sobre as maiores empresas editoriais do mundo. O relatório lista 47 companhias, levando em conta o ano fiscal de 2023 e abrange os principais setores tradicionais da indústria do livro: comércio, ou publicação de livros para o consumidor, publicação educacional, bem como CTP (científico, técnico e profissional), incluindo periódicos acadêmicos. Neste ranking constam duas empresas brasileiras: Cogna Educação (36ª) FTD Educação (42ª).

Aparecem na apuração as empresas que tiveram faturamento superior a € 150 milhões. A receita gerada pelas 10 primeiras empresas na lista representa 55% do faturamento total do setor rastreado para o ranking. Repetindo os resultados vistos no último ano,
O ranking é liderado pela RELX Group (Reed Elsevier), com um faturamento anual de € 5,65 bilhões.
O segundo lugar é da canadense Thomson Reuters, com faturamento de € 5,46 bilhões.
A Bertelsmann se mantém na terceira posição, com € 5,40 bilhões, junto com a Penguin Random House, empresa da qual o grupo alemão é dono. O faturamento apresentado é de € 4,53 bilhões.
Cogna – “uma das maiores organizações educacionais privadas do mundo” – passou por uma evolução nos últimos anos, de acordo com o relatório, expandindo sua missão de desenvolver e publicar livros escolares e materiais de aprendizagem relacionados para operar serviços educacionais e organizações educacionais completas. A partir de 2021, a empresa adicionou aos seus serviços de aprendizagem B2C também componentes B2B e B2B2C, apoiados por investimentos significativos em instrumentos e plataformas tecnológicas subjacentes. Na nova estrutura da empresa – focada em conteúdo e serviços de TI para educação e escolas –, as vendas de livros didáticos para o governo e as vendas de livros de ensino superior começaram em 2021 a serem realizadas pela Saber Educação (com selos tradicionais como SaraivaJur, SaraivaUni, Benvirá, Ática, Scipione e Saraiva e um novo selo somente para digital chamado Expressa). Isso fez o relatório The Global 50 considerar a Cogna Educação como um grande player editorial, embora a maior parte de suas receitas não venha da publicação. Em janeiro de 2024 a Cogna anunciou a venda de parte da Saber para o Grupo GEN – incluindo os selos citados acima. A operação não inclui os livros didáticos (voltados à educação básica) e os livros do PNLD, que permanecem com a Saber na Cogna. “Para este ranking, incluímos as receitas do seu braço editorial Vasta, bem como as receitas da Saber, a divisão de ‘soluções de aprendizagem’.  
A FTD Educação, com tradição na produção e comercialização de livros e materiais didáticos, abrangendo todas as etapas de ensino, além de oferecer cursos de treinamento para adultos analfabetos e outros serviços, vem investindo cada vez mais em soluções de aprendizagem digital. Os sistemas de aprendizagem da FTD foram usados por 2,3 mil escolas privadas brasileiras em 2021. Mais de 100 municípios adquiriram a solução de educação completa. O total de alunos que usaram as soluções da FTD no Brasil em 2021 foi de 970 mil, de acordo com o Global 50. “Considerando as crises políticas e econômicas que afetaram o Brasil nos últimos anos, o crescimento robusto da publicação educacional é de se destacar”. “Nos últimos anos, a FTD viu um crescimento sólido nas receitas.”  O fato de a editora ter conseguido manter suas receitas com o impacto particularmente severo da pandemia deve ser visto como muito positivo”. 

Outros destaques – O estudo também elenca os novos modelos de negócios que vêm se popularizando no mercado editorial mundial como, a exemplo do que vimos acima com Cogna e FTD, a publicação educacional – segmento no qual o Brasil se destaca. No relatório, Rüdiger cita que a maioria das principais empresas educacionais mundo optou por ir além da venda de seu conteúdo para clientes individuais (alunos, professores, pais) e instituições (escolas, governos). Em vez disso, muitas delas trabalham diretamente com grupos grandes de professores (por exemplo, na Coreia), operam suas próprias instituições de treinamento e educação, ou trabalham em estreita colaboração com governos, beneficiando-se de substanciais subsídios financeiros ou outras formas de apoio, como no Brasil e Rússia.

O relatório aponta ainda para a expansão no segmento educacional, dando como exemplo a grande produção de livros didáticos digitalizados e a oferta do conteúdo educacional de forma mais ampla.

De maneira geral, o Global 50 afirma que não ocorreram mudanças significativas entre este ano e o anterior. “Embora alterações massivas ainda não tenham ocorrido no setor, o impacto de longo prazo da digitalização não deve ser ignorado.  A digitalização é também um fator crucial para a expansão de novos entrantes, tanto startups quanto plataformas originárias de outros contextos de mídia além do livro tradicional, que conseguem levar com sucesso conteúdos relacionados a livros e autores diretamente aos olhos e ouvidos dos consumidores.

Para os próximos anos, espera-se uma aceleração tanto na velocidade quanto na profundidade das transformações em todos os setores do mercado editorial.

10 maiores editoras e grupos editoriais do mundo, segundo o Global 50 2024:
    1. RELX Group (Reed Elsevier) – Reino Unido, Holanda, EU
    2. Thomson Reuters – EUA
    3. Bertelsmann – Alemanha; Pinguim Random House – EUA
    4. Pearson – Reino Unido
    5. Wolters Kluwer – Holanda
    6. Hachette Livre – França
    7. Hitotsubashi Group – Japão
    8. Springer Nature – Alemanha
    9. Wiley – EUA
    10. Harper Collins – EUA.