![]() |
Nasci em Russas – Ceará, no ano de 1954, na época uma pequena cidade do Vale do Jaguaribe, conhecida como Terra da Laranja. Não tínhamos energia elétrica durante o dia e, ao escurecer, um gerador alimentado por um tambor de mingau escuro e cheiroso acendia poucas luzes em postes simples que mal iluminavam a cidade. Às nove horas da noite, as luzes piscavam sinalizando a hora de “entrar” e logo depois o motor era desligado. Os mais grandinhos enfrentavam o escuro das calçadas, onde eram contadas histórias de habitantes do mundo dos mortos que vinham de madrugada puxar os pés dos meninos que se deitavam sujos. As férias escolares passávamos na praia de Majorlândia, com infindáveis banhos de mar, escalada de dunas ao pôr do sol e brincadeiras em noites clareadas por estrelas e lamparinas de querosene. |
| Deixei a cidade natal por problemas familiares e vim morar na capital do Ceará em 1970, ano de Copa do Mundo e de treinos linguísticos apurados na pronúncia de palavras como Guadalajara, Puebla e Ciudad de México. Ano também de dificuldades financeiras, adversidades nunca imaginadas por mim, um adolescente do interior de situação econômica privilegiada. Entrei para a faculdade de medicina em 1974 e casei logo depois. Tive 2 filhos durante o curso e um terceiro como residente na área de ginecologia e obstetrícia, profissão que exerço sem planos de aposentadoria. Este é meu segundo livro. Perguntaram-me se era autobiográfico. Não é. Embora fictício, não pode ser dissociado de memórias de uma criança que se acostumou a dormir com os pés puxados por assombrações e embalou-se em redes armadas em alpendres à beira-mar, com varandas onduladas pelo vento Aracati.
Principais Obras: Retalhos, Infinito Mar. |

